Comer carne… nunca mais

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Cresce em todo o mundo o número de adeptos do vegetarianismo
Ana Elizabeth Diniz Especial para O TEMPO

Você com certeza conhece alguém vegetariano – não importam as razões que o levaram a parar de comer carne. Alguns não suportam o gosto da carne, outros se sentem mais leves e com mais saúde. Alguns se assustam com os malefícios do alimento ou discordam da matança indiscriminada dos animais.
Outros simplesmente são defensores do meio ambiente. A palavra vegetariano vem do latim vegetus e significa “forte”, “vigoroso”, “saudável”, ao contrário da idéia antiquada de que a dieta de restrição de carne provoca palidez e falta de energia. “Essa afirmação não passa de um mito sem base na realidade.

Entre os maiores medalhistas olímpicos de todos os tempos está Carl Lewis, vegetariano, mas existem muitos outros”, afirma Marly winckler, presidente da Sociedade Brasileira de Vegetarianismo, socióloga e vegetariana há 25 anos. Segundo Neal Barnard, presidente do Comitê Médico por uma Medicina Responsável, vegetarianos e veganos vivem em média seis a dez anos a mais que o resto da população.

Tradicionalmente povos com muitos habitantes centenários têm uma dieta basicamente vegetariana, como os hunzas dos himalaias e os vilcabambas do Equador. Vegetariano é aquele que tem um regime alimentar que exclui tudo o que implique tirar a vida de um animal. Ele se abstém de todas as carnes e produtos dela derivados, como bacon, presunto, gelatina e outros, mas pode incluir em sua alimentação subprodutos de origem animal, como leite, laticínios e ovos.

Diferenciação. O vegetariano que utiliza ovos e leite na alimentação é denominado ovo-lacto-vegetariano. Os vegetarianos puros, ou veganos, excluem de sua alimentação carnes, peixes, aves, laticínios, ovos, mel, gelatina e também evitam o uso de couro, lã, pele e seda, e produtos menos óbvios de origem animal, como óleos e secreções, presentes em sabonetes, xampus, cosméticos, detergentes, perfumes e filmes.

Há ainda os que defendem que os seres humanos são onívoros por natureza e os que afirmam, com base em sua constituição anatômica e fisiológica, que têm todas as características de animais herbívoros e, mais ainda, frugívoros. “Uma coisa é certa: seres humanos não precisam comer carne para gozar de excelente saúde”, reflete Winckler. Segundo as nutricionistas Vesanto Melina e Brenda Davis, “uma dieta rica em vegetais atende, com mais freqüência, às recomendações atuais quanto ao percentual de gordura, carboidratos e proteínas do que as dietas onívoras. Segundo essas recomendações, devemos cortar as gorduras, sobretudo as saturadas, dar ênfase a grãos, frutas e vegetais e aumentar o consumo de fibras”.

Winckler ressalta que “em uma dieta sem carne há menos possibilidade de contrairmos infecções bacterianas encontradas em animais. Caldwell Esselstyn e Dean Ornish provaram que pacientes com artérias bloqueadas podem reverter sua condição e evitar cirurgia com uma dieta vegana com baixo teor de gordura. Segundo a Sociedade Americana de Câncer, pelo menos um terço dos óbitos por câncer naquele país estão ligados à dieta.


Marly Winckler

De acordo com o doutor T. Colin Campbell, diretor do famoso Projeto China, um estudo epidemiológico sobre a relação entre dieta e saúde, “a vasta maioria, talvez 80 a 90% de todos os cânceres, doenças cardiovasculares e outras formas de doenças degenerativas podem ser prevenidas com a adoção de uma dieta vegetariana”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pesquisas médicas e científicas apontam para uma clara ligação entre fatores nutricionais e o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, infarto, vários tipos de câncer, osteoporose, diabetes e outras doenças crônicas.

AGENDA: 2º Congresso Vegetariano Brasileiro, de 22 a 25 de setembro, no campus da UNI-BH, rua Diamantina, 567, Lagoinha. Informações: 3488-1544

Constatação
Pecuária gera impactos na natureza

O outro lado igualmente perverso da carne é a indústria. Segundo Marly winckler, a criação de gado devasta imensas áreas verdes naturais. A demanda por carne barata, diz, é uma das principais causas da destruição das florestas tropicais. Isso contribui para a extinção das espécies e para a desertificação, além da poluição causada pelo dióxido de carbono. “A indústria da carne é um dos agentes que mais contaminam e que mais consomem água. O solo fértil também sofre com a criação de gado, que é uma das causas de seu esgotamento”, afirma. A criação de gado é responsável pelo desmatamento de 93% da mata Atlântica, 80% da caatinga, 50% do cerrado e 18% da Amazônia. “São necessários em média 7 kg de cereais e grãos para produzir 1 kg de carne de boi. Metade de toda a terra boa do mundo é destinada a pastagens. Metade da colheita mundial de grãos é consumida pelo gado no mundo”, diz Marly. (AED)

Fonte: Jornal O Tempo

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