NOTA SOBRE A SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DAS ATIVIDADES DO INSTITUTO ROYAL.

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NOTA SOBRE A SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DAS ATIVIDADES DO INSTITUTO ROYAL.


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Impressões e alguns detalhes ainda não revelados sobre os testes realizados pela instituição.
Fabio Chaves, fundador e infoativista do portal Vista-se | 26 de outubro de 2013.

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Estamos diante de um marco histórico no movimento mundial dos Direitos Animais. O que aconteceu no Instituto Royal, apenas havia acontecido antes na Itália, em 2012, quando centenas de pessoas invadiram o local que ficou conhecido como Green Hill. Nós, todos os ativistas, conseguimos o impensado: fechar, mesmo que temporariamente, um dos maiores institutos de pesquisa com animais do Brasil.

Quando três corajosas ativistas resolveram iniciar um protesto onde ficariam acorrentadas nos portões da instituição, era difícil imaginar o desfecho dessa história. Sem elas, provavelmente não estaríamos no momento em que estamos, com toda a imprensa voltada para nós e em franco debate sobre a vivissecção. Por isso – e em primeiro lugar -, reforço meu respeito a estas mulheres.

Minha função, enquanto infoativista, é utilizar informações precisas e confiáveis para ajudar no desenrolar dos fatos. Embora eu não seja jornalista, faço jornalismo no dia a dia e admiro muito esta profissão.

Eu não estava preparado para tudo o que aconteceu e acho que ninguém estava. Às pressas, criei a página “Vista-se Ao Vivo” que logo se tornou referência para as pautas da grande mídia sobre o caso. Nela, atualizei minuto a minuto tudo que havia de novo sobre o caso, prendendo a atenção do público e da imprensa sobre o caso e não deixando o assunto cair em esquecimento.

No sábado (19), às 11h54, quando publiquei que o clima entre manifestantes e polícia havia explodido, eu mal enxergava o celular para escrever, havia inalado gás lacrimogêneo. Cheguei a passar uma noite em vigília em frente ao Instituto Royal para acompanhar como seria a rotina dos ativistas anônimos que ajudaram em todo o caso. Quem não podia ficar lá levava comida vegana e água. Eu percebi como muitas pessoas se sacrificaram e mudaram sua vida nestes últimos dias, em prol dos animais torturados no Instituto Royal. Recebi elogios de jornalistas de grandes veículos da imprensa. Todos que me ligaram estavam com a página “Vista-se Ao Vivo” aberta 24 horas na redação. Este trabalho vai continuar neste e em outros casos importantes.

Por ser informativo, meu trabalho pode acontecer de forma remota. Porém, na quarta-feira (23), resolvi logo pela manhã, que caberia a mim ir a São Roque novamente. Eu já havia visitado a cidade em vários momentos durante o caso Royal. Mas, na manhã de quarta-feira, sabendo que a página que eu criei tinha conquistado um certo peso perante a imprensa, decidi ir até a cidade cobrar um posicionamento oficial do prefeito sobre tudo o que estava acontecendo. Para dar notoriedade, convoquei a imprensa. Vários grandes veículos de comunicação realmente foram e acompanharam tudo. Meu sincero agradecimento aos colegas jornalistas que deram atenção ao lado mais fraco da corda.

Eu não sou a melhor pessoa para falar de forma técnica sobre a vivissecção, por isso, achei fundamental a entrada de um amigo ativista, que é um bom orador neste sentido. Afinal, tudo soma. Outras pessoas que também falam de forma técnica sobre o tema foram convidadas, mas não puderam comparecer, embora quisessem. Precisamos ter a consciência de que devemos usar o que temos de melhor. Neste caso, o que eu tinha de melhor era a habilidade de manter as pessoas informadas e de ajudar na mobilização da imprensa. As mulheres, que começaram tudo isso, foram fundamentais e ainda são, uma vez que seus depoimentos e os motivos que as fizeram se acorrentar no Instituto Royal ainda sejam assuntos relevantes. Nos últimos dias, a presença daquela ativista com parecer técnico, assim como entrevistas de um biólogo da causa na TV foram também essenciais para o desfecho, ainda que temporário.

Paralelamente a isso, a pressão política causada pela mobilização popular em frente ao Instituo Royal e através da internet teve papel decisivo no resultado que temos até agora. De perto, pude acompanhar alguns parlamentares municipais, estaduais e federais. Alguns talvez estivessem ali pelos holofotes. Outros, no entanto, estavam por caráter e por entender a situação. De qualquer forma, todos eles foram importantes para que a população entendesse que o assunto é sério e também para que o desfecho fosse positivo para os animais.

No início da noite de sexta-feira, 25 de outubro de 2013, precisamente às 19h59, publiquei um passo para vitória: “Foram suspensas temporariamente neste momento as atividades do Instituto Royal”.

Por 60 dias, o Instituto de Educação para a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica Royal, conhecido nos últimos dias apenas por Instituto Royal, não poderá exercer suas atividades – que consideramos extremamente cruéis e ultrapassadas.

No passado, testes muito parecidos foram ministrados a milhares de prisioneiros nos campos nazistas, inclusive em crianças, por médicos e cientistas que tinham apoio da comunidade científica e de parte da população. Até hoje há estudos realizados de forma completamente antiética naqueles campos, que são a base do conhecimento sobre as reações do corpo humano, como por exemplo, os estudos referentes ao congelamento ou à queimaduras causadas por produtos químicos. Atualmente, a comunidade científica, em sua maioria, repudia os meios utilizados para que tenhamos o conhecimento atual. Em outras palavras, poderíamos ter chegado ao mesmo conhecimento, de forma mais rápida e precisa, sem matar crianças e adultos que eram explorados pelo nazismo.

Estamos diante de um caso muito semelhante. Os testes realizados pelo Instituto Royal torturam os animais com produtos cosméticos, produtos químicos e insumos para a indústria. O que difere as vítimas do Instituto Royal para as dos campos nazistas é apenas a sua espécie.

O momento é de comemoração. Mas este caso está longe de chegar ao fim. Segundo entrevista publicada no site do jornal Estadão, na noite de quinta-feira (24), representantes do Instituto Royal disseram que, no momento da invasão do local, ficaram para trás cerca de 500 ratos e camundongos (leia aqui).

Com a suspensão temporária do alvará de funcionamento do Instituo Royal, foi concedida ao próprio instituto a tutela provisória destes animais. Em nenhum momento foi permitida a entrada de uma comissão de ativistas para ver os animais. Assim, baseado nas declarações dos representantes do Royal na entrevista ao Estadão, presumo que ainda há cerca de 500 animais dentro das instalações do instituto. Na mesma entrevista, Silvia Ortiz disse que estes animais não poderão mais ser utilizados para pesquisas científicas, uma vez que seu ambiente foi contaminado pela entrada de pessoas que não estavam “desinfectadas apropriadamente”.

O que nós, todos os ativistas, queremos agora é o direito de tutelar estes animais. Se eles não servem mais para a pesquisa científica, provavelmente não deve haver interesse da instituição em continuar com eles.

Sobre os tipos de testes que o Instituto Royal realiza

Para a grande mídia, representantes da instituição afirmaram, diversas vezes, que só utilizavam animais em pesquisas de novos medicamentos. Afirmaram também que havia um estudo para a cura do câncer em andamento. Todas essas informações podem confundir a opinião pública, que acaba vendo a instituição como vítima. Admitir que pingavam agrotóxicos e produtos cosméticos em olhos de coelhos para observar e registrar os resultados pode ser uma coisa muito negativa para a imagem do Instituo Royal.

No entanto, um documento que está online no site do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), detalha os tipos de testes praticados no Instituto Royal.

Link do documento:
http://www.inmetro.gov.br/monitoramento_BPL/bpl/docs/BPL0022.pdf

Link alternativo:
http://www.vista-se.com.br/redesocial/wp-content/uploads/2013/10/BPL0022.pdf

No documento, que está publicado em um site de uma instituição do governo, é possível observar que o Instituo Royal ministrava agrotóxicos, produtos cosméticos e produtos químicos em cães da raça beagle, coelhos e camundongos. Estes produtos eram ministrados na pele e nos olhos dos animais. Estes animais também eram obrigados a ingerir doses de agrotóxicos, produtos cosméticos e produtos químicos, além de outros componentes. O documento não detalha o número de animais mortos, mas o que sabemos deste tipo de teste é que a maioria vai a óbito. A morte é parte dos testes para descobrir que dosagem de uma determinada substância é capaz de matar um animal.

Portanto, ao contrário do que os representantes do Instituo Royal afirmam na imprensa, a instituição realizava sim testes em animais para fins cosméticos, entre outros. O dinheiro público recebido pelo Royal teria sido aplicado em equipamentos para que a instituição realizasse testes para a indústria privada e não apenas para remédios que supostamente trariam a cura do câncer? Cabe à justiça investigar.

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