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Novo Guia Alimentar dos EUA preocupa médicos veganos

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O governo dos Estados Unidos divulgou nesta semana as Diretrizes Alimentares 2025–2030, documento que orienta a alimentação da população e costuma influenciar políticas públicas em vários países. Mais uma vez, o texto dedica espaço às dietas vegetarianas e veganas — reconhecendo que são viáveis, embora cercadas de alertas questionáveis.

O guia é elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, órgão que também representa os interesses da pecuária. Esse conflito aparece de forma clara: enquanto o documento recomenda reduzir gorduras saturadas para controlar colesterol e doenças cardiovasculares, ao mesmo tempo estimula o consumo de carnes e laticínios, principais fontes desse tipo de gordura.

A crítica foi feita pelo médico Neal Barnard, presidente do Physicians Committee for Responsible Medicine. Segundo ele, o guia acerta ao pedir menos gordura saturada, mas erra ao não apontar sua origem e ao promover exatamente os alimentos mais associados a doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e obesidade.

Sobre dietas veganas e vegetarianas, o documento recomenda:

variedade de alimentos integrais;
proteínas vegetais como feijões, lentilhas, nozes, sementes, tofu e tempeh;
cautela com ultraprocessados.

Até aqui, nada controverso. O problema surge quando o texto passa a listar uma série extensa de possíveis “deficiências” — incluindo proteína, minerais e várias vitaminas — criando um tom alarmista que não encontra respaldo científico quando a dieta é bem planejada. A única suplementação amplamente consensual é a vitamina B12, algo já assumido e divulgado pelo próprio movimento vegano há décadas.

Curiosamente, mesmo com todos esses alertas, o guia não consegue negar a viabilidade da alimentação vegana, admitindo implicitamente que ela pode atender às necessidades nutricionais em qualquer fase da vida. Posição semelhante à adotada no Brasil, onde o Ministério da Saúde do Brasil reconhece dietas baseadas em plantas como adequadas.

O documento norte-americano acaba revelando mais sobre quem o escreve do que sobre nutrição em si. Ainda assim, reforça um ponto importante: mesmo sob influência direta da indústria pecuária, o Estado dos EUA segue sendo obrigado a reconhecer que o veganismo é viável, seguro e cientificamente respaldado.


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