Vista-se | Novo livro do filósofo Gary L. Francione chega ao Brasil: “Introdução aos Direitos Animais”

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Novo livro do filósofo Gary L. Francione chega ao Brasil: “Introdução aos Direitos Animais”


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Francione é um pioneiro na teoria de Direitos Animais abolicionista.

Além de filósofo e autor de vários livros sobre a forma como o ser humano trata os animais, Francione leciona direito e filosofia na Rutgers School of Law – Newark, Estados Unidos. Vegano, ele foi o primeiro acadêmico a dar aulas sobre Direitos Animais em uma universidade de seu país. Gary acredita que os animais precisam ser tratados como sujeitos de direito e que devem, portanto, ter o direito de não serem explorados pelo homem.

Há algumas semanas, a Editora Unicamp lançou o livro “Introdução aos Direitos Animais” do professor e disponibilizou em sua loja virtual por R$ 68,00 (compre aqui).

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Sinopse do livro

Neste livro o autor lança um desafio concernente ao nosso uso e tratamento dos animais e nos incita a deixar de lado as confortáveis desculpas proporcionadas pelo nosso aparente compromisso com o tratamento “humanitário” ou “compassivo” dos animais e a reconhecer que, sob as leis e regulações relativas a como cuidamos dos animais com quem dividimos este planeta, na realidade os tratamos como coisas que não têm nenhum interesse que devamos levar a sério.

Críticas à campanha Segunda Sem Carne

Uma das ONGs vegetarianas mais conhecidas do Brasil é a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Entre outras ações, a SVB promove em nosso país a campanha Segunda Sem Carne, que teve início nos EUA mas ficou realmente famosa quando o ex-beatle Paul McCartney tornou-se divulgador dela.

Durante uma videoconferência na International Animal Rights Conference realizada em Luxemburgo em setembro de 2013, Gary reforçou suas já conhecidas críticas à campanha ao responder a uma ativista brasileira presente no evento (assista aqui). As principais críticas de Francione estão relacionadas ao fato de a campanha não focar no veganismo diretamente e ao incentivo do consumo de laticínios e ovos que a campanha faz no exterior, publicando receitas com esses produtos de origem animal. Outro ponto fortemente criticado pelo filósofo é a questão de ser apenas um dia por semana, no entanto, ele diz que “se você quer ter um dia, tenha uma segunda-feira vegana. Mas que fique claro que o dia vegano se estenda a todos os dias.” Francione havia criticado a campanha no final de junho, durante uma entrevista para o nutricionista e ativista brasileiro George Guimarães (assista aqui), presidente da ONG VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade).

No Brasil, a campanha Segunda Sem Carne tem uma diferença importante em relação à campanha estrangeira, embora tenha o mesmo nome: ela não divulga nenhuma receita que contenha ingredientes de origem animal. No entanto, alguns grupos abolicionistas como a ONG paulistana VEDDAS são contra a campanha Segunda Sem Carne, mesmo em sua versão brasileira.

Por telefone, George Guimarães, presidente do VEDDAS, justificou suas críticas à campanha:

“A campanha Segunda Sem Carne reduz a mensagem do vegetarianismo a um sétimo e não toca na questão dos derivados. Desta forma, reduz a importância do movimento, como se algo que consideramos errado pudesse receber concessões na maior parte do tempo. Seria o mesmo que querer defender que o estupro é errado, mas somente às terças-feiras. Compreendo a importância de respeitar o ritmo de transição cada um, mas este ritmo deve ser colocado por cada pessoa, sem ter que desvirtuar o objetivo do vegetarianismo para adaptar-se ao ritmo individual quando a mensagem está sendo transmitida em massa.”

Procurada pelo Vista-se e convidada a assistir à argumentação do professor Gary Francione, a Coordenadora Nacional da Campanha Segunda Sem Carne, Mônica Buava, ativista da SVB, enviou a seguinte nota:

“A Campanha Segunda Sem Carne é um movimento mundial, porém independente. Cada iniciativa desenvolve suas estratégias e formas de trabalho de forma autônoma. No Brasil, a Campanha desenvolvida pela SVB não estimula o consumo de ovos e leite, como acontece em alguns países; pelo contrário, em seus 10 anos de existência, a SVB sempre defendeu o vegetarianismo estrito, e a campanha Segunda Sem Carne não seria diferente.

Existe uma grande falha no argumento de Gary Francione de que ‘todas as oportunidades de interagir com um ouvinte devem ser usadas para promover diretamente o veganismo’. A SVB defende, sim, o vegetarianismo estrito (veganismo), mas o que ocorre é que a mensagem da Segunda Sem Carne gera um número imenso de oportunidades de interação a mais. Por exemplo, foi através da SSC que as escolas públicas municipais de São Paulo adotaram dois dias vegetarianos estritos (veganos) por mês – um pequeno passo, mas que já poupa aproximadamente 25 mil animais do abate todos os meses. Hospitais, empresas e outros governos também estão participando. E se a mensagem fosse apenas “veganismo todos os dias”, essas portas não teriam sido abertas. Além disso, há vários depoimentos de pessoas que tornaram-se vegetarianas (e veganas) a partir da Segunda Sem Carne. Alguns deles podem ser vistos no site da campanha (veja aqui). Então, na verdade, trata-se de uma estratégia brilhante de acessar muito mais lugares, colocando muito mais pessoas em contato com o universo da alimentação vegetariana estrita. Por isso, em um movimento focado em salvar mais animais, a Segunda Sem Carne é uma grande aliada de outras campanhas, sejam da SVB ou de outros grupos.”

Independentemente de se este tipo de campanha é eficaz ou não, é importante a discussão. Nesse contexto, as críticas devem ser vistas como algo que ajuda o movimento a crescer e não podem ser ignoradas.

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